Bibliotecas públicas, espaços mortos no Brasil.
Ás vezes fico me perguntando como
acontecem coisas assim. Você está numa estação rodoviária, quando um
menino que você não conhece, com talvez cinco ou seis anos, te vê com
uma revista e pergunta se pode ver. De repente a mãe do garoto corre em
sua defesa, fazendo com que ele desapareça da vista e da comodidade
daquele estranho que lê.
Talvez as epifanias existam, acredito um pouco mais nisso agora pois, por qual motivo, caros leitores, pensaria eu, naquele momento, na situação das bibliotecas públicas do país? Confesso, o gesto daquele menino me fez ver, mesmo que tardiamente, os espaços mortos que as bibliotecas representam para os jovens. As crianças não vão às bibliotecas à procura de um livro que satisfaça a fome estética que todos nós possuimos. As crianças só vão até a biblioteca, quando, não achando o que procuram na internet, ou através de sites de compra, se veem obrigadas a frequentar "aquele lugar chato", como muitos afirmam.
Pensando bem, não tiro a razão de nenhum desses pequenos quando fazem críticas severas aos espaços das bibliotecas. Primeiro pelo seguinte motivo, as bibliotecas hoje em dia, não se sustentam mais apenas como espaço de pesquisa, a não ser que tenham livros tão difíceis de se encontrar que faça com que professores e alunos tenham que frequentá-las. A internet por si só já contem muita informação para pesquisa e até mesmo livros que podem ser baixados facilmente. Então o jovem se pergunta, por que ir na biblioteca?
Além dos livros, as políticas públicas de incentivo a leitura não pensaram, ao decorrer de anos, seja por conveniência ou por falta de um planejamento pedagógico, o possível ponto crítico pelo qual esses espaços estão passando. As bibliotecas começaram então - isso dos anos 90 até os dias de hoje - a implementar atividades para a movimentação dos espaços públicos, como rodas de leitura, saraus, mesas literárias, entre outras coisas que fizessem com que os leitores se interessasem por esses espaços mortos que são as bibliotecas do nosso país.
Um exemplo muito interessante dessa movimentação nesses tipos de espaços, há muito abandonados pelos leitores, é a biblioteca Epifánio Dória, em Aracaju-SE junto com o Proler e com o apoio dos professores e estudantes de letras e outros cursos, movimentam há 3 anos, através das rodas de leitura e outros eventos que fomentam o interesse pela leitura no estado. Mas, em cidades do interior e em muitas outras capitais do nosso fatídico país, regado a samba, bebidas e noitadas, os espaços das bibliotecas públicas apodrecem, não funcionam, não tem sequer funcionário. Fazendo com que as pessoas que atendam ao leitor ou ao pesquisador que lá se encontra, nem saiba como nem o que procurar.
Deixo então, com esse despretensioso texto, não um atestado contra
as bibliotecas públicas no Brasil, mas sim, um desejo de mudança
verbalizado em parágrafos de descontentamento com as políticas de
incentivo à leitura.

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